{"id":130,"date":"2024-11-05T16:13:45","date_gmt":"2024-11-05T19:13:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/?p=130"},"modified":"2025-03-19T16:16:46","modified_gmt":"2025-03-19T19:16:46","slug":"cinema-goianiense-entenda-a-trajetoria-das-salas-de-rua-e-as-perspectivas-para-o-cinema-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/?p=130","title":{"rendered":"Cinema goianiense: entenda a trajet\u00f3ria das salas de rua e as perspectivas para o cinema Local"},"content":{"rendered":"\n<p>Cineastas e especialistas falam sobre o impacto dos cinemas de rua e os novos rumos para o cinema goianiense<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/assets\/2024\/11\/cine-ritz-goiania.jpg 800w, https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/assets\/2024\/11\/cine-ritz-goiania-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/assets\/2024\/11\/cine-ritz-goiania-620x403.jpg 620w, https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/assets\/2024\/11\/cine-ritz-goiania-768x499.jpg 768w\" src=\"https:\/\/www.jornalopcao.com.br\/assets\/2024\/11\/cine-ritz-goiania.jpg\" alt=\"\">Uma das salas de cinema do CineRitz, cl\u00e1ssico de Goi\u00e2nia | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema em Goi\u00e2nia tem uma trajet\u00f3ria marcada por intensas transforma\u00e7\u00f5es que refletem tanto a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica quanto as mudan\u00e7as sociais e culturais da cidade. Desde os primeiros cinemas de rua, nos anos 1940, at\u00e9 os dias atuais, com um panorama de festivais e produ\u00e7\u00f5es independentes, a hist\u00f3ria do cinema goianiense \u00e9 repleta de significados e significantes. Para entender esse processo, ouvimos dois dos maiores nomes da \u00e1rea: Lisandro Nogueira, professor de cinema na Universidade Federal de Goi\u00e1s desde 1989, e o cineasta \u00c2ngelo Lima, um dos pioneiros da produ\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lisandro Nogueira, o&nbsp;<strong>Cine Santa Maria<\/strong>, localizado na Rua 24, foi o primeiro cinema da cidade, surgindo no cora\u00e7\u00e3o do Centro de Goi\u00e2nia, em um momento de crescente urbaniza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o. \u201cA cidade estava em crescimento e o cinema foi um dos pilares dessa transforma\u00e7\u00e3o cultural\u201d, lembra Lisandro. Esse cinema inaugurou uma nova era para a cidade, trazendo uma programa\u00e7\u00e3o diversificada que come\u00e7ou a moldar o gosto e a cultura cinematogr\u00e1fica da popula\u00e7\u00e3o goiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro marco importante foi a inaugura\u00e7\u00e3o do&nbsp;<strong>Cine Teatro Goi\u00e2nia<\/strong>, que, al\u00e9m de exibir filmes, tamb\u00e9m trazia apresenta\u00e7\u00f5es teatrais. Inicialmente, o local funcionava como um cine-teatro, espa\u00e7o onde a cultura popular da cidade se encontrava com o cinema e o teatro. Esse espa\u00e7o, ainda hoje conhecido como Teatro Goi\u00e2nia, foi um dos centros culturais mais importantes de Goi\u00e2nia durante as d\u00e9cadas de 1950 e 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>Cine Goi\u00e1s<\/strong>, que ficava na Avenida Anhanguera, quase na esquina com a Rua 20, tamb\u00e9m teve grande relev\u00e2ncia. Lisandro recorda que o edif\u00edcio foi demolido, mas sua mem\u00f3ria permanece viva. Para ele, o Cine Goi\u00e1s representava o auge da experi\u00eancia cinematogr\u00e1fica na cidade at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, quando o panorama do cinema local come\u00e7ou a se diversificar com outros cinemas que surgiram na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os anos 50 e 70, muitos outros cinemas come\u00e7aram a marcar presen\u00e7a em Goi\u00e2nia. O&nbsp;<strong>Cine Casablanca<\/strong>, na Rua 8 (conhecido como Rua do Lazer), e o&nbsp;<strong>Cine Astor<\/strong>, localizado na Rua 9 com a Rua 3, eram alguns dos espa\u00e7os de destaque. O p\u00fablico goianiense podia desfrutar de uma ampla gama de filmes, desde os populares faroestes americanos at\u00e9 os cl\u00e1ssicos franceses e italianos. \u201cEsses cinemas de rua eram os pontos de encontro da sociedade goianiense, os lugares onde as pessoas iam para ver e discutir filmes, mas tamb\u00e9m para se encontrar\u201d, explica Lisandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um per\u00edodo em que o cinema era uma das principais formas de lazer da popula\u00e7\u00e3o, os filmes de Mazarope, que foram sucesso absoluto em Goi\u00e2nia, ilustram a rela\u00e7\u00e3o entre o cinema e o povo. \u201cO p\u00fablico goianiense se identificava muito com filmes de personagens populares e de humor simples\u201d, diz Lisandro. Ele ainda lembra que a programa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica da \u00e9poca era um verdadeiro fen\u00f4meno social, onde o cinema era mais do que apenas um passatempo, mas uma viv\u00eancia cultural coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 70, o cinema norte-americano passou a dominar a programa\u00e7\u00e3o, com os filmes de Hollywood se tornando os maiores sucessos de bilheteira. A produ\u00e7\u00e3o nacional, ainda em crescimento, n\u00e3o tinha a visibilidade que merecia, mas produ\u00e7\u00f5es como as de Mazarope ainda estavam presentes, ocasionalmente. Esse cen\u00e1rio, segundo Lisandro, mudou ainda mais nos anos 80, quando a populariza\u00e7\u00e3o dos shoppings centers e a ascens\u00e3o dos cinemas multiplex come\u00e7aram a impactar a din\u00e2mica dos cinemas de rua.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do Flamboyant Shopping, na \u00e9poca, o maior shopping da cidade, inaugurado em 1995, trouxe consigo a instala\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias salas de cinema, o que acabou com a hegemonia dos cinemas de rua em Goi\u00e2nia. Os cinemas de shopping come\u00e7aram a dominar, enquanto os tradicionais passaram a fechar suas portas, um a um, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990. \u201cO mercado de cinema estava mudando, e com isso, a din\u00e2mica da cidade tamb\u00e9m se transformava\u201d, observa Lisandro.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>Cine Ritz<\/strong>, localizado no centro de Goi\u00e2nia, \u00e9 o \u00fanico cinema de rua que ainda sobrevive, funcionando at\u00e9 hoje com programa\u00e7\u00e3o regular, patrocinado pelo Sesc. Para Lisandro, este \u00e9 um dos \u00faltimos basti\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de rua em Goi\u00e2nia, mantendo viva a mem\u00f3ria do cinema de outrora. \u201cEle \u00e9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia\u201d, afirma Lisandro, que v\u00ea no Cine Ritz uma esp\u00e9cie de \u00e2ncora cultural, essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria cinematogr\u00e1fica da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como tudo na vida, o cinema tamb\u00e9m teve que se adaptar aos novos tempos. O advento do streaming e a populariza\u00e7\u00e3o de plataformas como Netflix e Amazon Prime mudaram a forma como as pessoas consomem cinema. \u201cA experi\u00eancia no cinema nunca poder\u00e1 ser totalmente substitu\u00edda pelo streaming\u201d, enfatiza Lisandro. Para ele, a experi\u00eancia sensorial de assistir a um filme na sala escura, com a tela grande e a concentra\u00e7\u00e3o total, \u00e9 \u00fanica. No entanto, ele reconhece que a pandemia de COVID-19 impactou fortemente essa viv\u00eancia. \u201cO p\u00fablico se afastou, as pessoas desaprenderam a ir ao cinema\u201d, lamenta Lisandro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c2ngelo Lima<\/strong>, cineasta e produtor, compartilhou com a reportagem sua vis\u00e3o sobre o cinema em Goi\u00e2nia e os desafios enfrentados ao longo dos anos. Natural de Recife, \u00c2ngelo chegou a Goi\u00e2nia nos anos 1960 e logo se envolveu com a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Ele foi um dos fundadores do Centro de Cultura Cinematogr\u00e1fica \u2013 CCC, em Pernambuco, e em 1999, retornou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o com os curtas Lembran\u00e7as e Desaparecidos, que participaram do&nbsp;<strong>Fica<\/strong>&nbsp;(Festival Internacional de Cinema e V\u00eddeo de Goi\u00e1s).<\/p>\n\n\n\n<p>Para \u00c2ngelo, os primeiros cinemas de Goi\u00e2nia, como o&nbsp;<strong>Cine Goi\u00e1s<\/strong>&nbsp;e o&nbsp;<strong>Cine Eldorado<\/strong>, foram fundamentais na constru\u00e7\u00e3o de uma cultura cinematogr\u00e1fica local. \u201cEsses cinemas n\u00e3o apenas exibiam filmes, mas tamb\u00e9m eram centros de troca cultural, um reflexo do pr\u00f3prio crescimento da cidade\u201d, observa ele. O&nbsp;<strong>Cine Cultura<\/strong>, outro espa\u00e7o importante, \u00e9 um exemplo de como a cidade preservou, ao menos em parte, sua tradi\u00e7\u00e3o de exibi\u00e7\u00e3o de filmes de autor e produ\u00e7\u00f5es independentes. Contudo, \u00c2ngelo menciona que a localiza\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es de seguran\u00e7a do Cine Cultura dificultam o acesso de grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica local, \u00c2ngelo acredita que a qualidade t\u00e9cnica dos filmes goianos melhorou ao longo dos anos, mas ainda falta uma identidade mais forte. \u201cA produ\u00e7\u00e3o local \u00e9 boa, mas falta algo mais ousado, mais criativo\u201d, afirma ele. Para o cineasta, a cidade precisa de mais projetos que se distinguam e que representem a realidade goiana de forma mais aut\u00eantica. \u201cGoi\u00e2nia precisa de mais filmes que fa\u00e7am o p\u00fablico se sentir parte dessa hist\u00f3ria\u201d, sugere.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c2ngelo tamb\u00e9m comenta a import\u00e2ncia de espa\u00e7os como o&nbsp;<strong>Cine Ouro<\/strong>, que ele considera essencial para fomentar a produ\u00e7\u00e3o local e garantir maior visibilidade aos filmes feitos em Goi\u00e1s. Para ele, esses espa\u00e7os precisam de uma programa\u00e7\u00e3o regular e mais voltada para o cinema goianiense, para garantir que as produ\u00e7\u00f5es locais se mantenham vivas na mem\u00f3ria do p\u00fablico. \u201cO Cine Ouro tem um potencial imenso, mas precisa de mais programa\u00e7\u00e3o para se manter relevante\u201d, acredita.<\/p>\n\n\n\n<p>Os festivais de cinema em Goi\u00e2nia, como o&nbsp;<strong>Festival de Cinema de Terror<\/strong>, ainda enfrentam o desafio de atrair mais p\u00fablico. \u201cA frequ\u00eancia nos festivais \u00e9 baixa, e isso precisa ser mudado\u201d, afirma \u00c2ngelo, que v\u00ea esses eventos como oportunidades importantes para a troca cultural e o crescimento da cena cinematogr\u00e1fica local.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto da pandemia de COVID-19, para \u00c2ngelo, foi profundo. \u201cAs pessoas desaprenderam a ir ao cinema, e isso afetou muito a din\u00e2mica do p\u00fablico\u201d, observa. Ele acredita que o retorno ao cinema tradicional n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, especialmente porque muitas pessoas se acostumaram com a comodidade do streaming. Contudo, para \u00c2ngelo, a experi\u00eancia de ir ao cinema ainda \u00e9 algo irreplace\u00e1vel. \u201cO cinema tem um poder que nenhuma plataforma de streaming pode oferecer, a magia do coletivo, o impacto da tela grande\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro do cinema em Goi\u00e2nia, segundo \u00c2ngelo, depende de uma maior conex\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o local e o p\u00fablico. \u201c\u00c9 preciso criar uma identidade mais forte para o cinema goianiense\u201d, afirma. Para ele, a cidade tem o potencial para ser um polo de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, mas ainda falta um impulso para que isso se torne realidade. \u201cO cinema de Goi\u00e2nia pode e deve ser mais ousado, mais criativo e mais conectado com a sua gente\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do cinema em Goi\u00e2nia \u00e9 um reflexo das transforma\u00e7\u00f5es da cidade ao longo do tempo. O legado dos cinemas de rua, as mudan\u00e7as trazidas pelos multiplexes e o impacto das novas formas de consumo, como o streaming, formam um cen\u00e1rio complexo, mas cheio de possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os entrevistados, Lisandro Nogueira e \u00c2ngelo Lima, a chave para o futuro do cinema em Goi\u00e2nia est\u00e1 na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos cinemas de rua e na busca por uma identidade cinematogr\u00e1fica local mais forte e mais conectada com o p\u00fablico. Se o caminho \u00e9 \u00e1rduo, ainda h\u00e1 muito a ser feito para que Goi\u00e2nia se reafirme como um centro de produ\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de qualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cineastas e especialistas falam sobre o impacto dos cinemas de rua e os novos rumos para o cinema<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=130"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":132,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/130\/revisions\/132"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diretodafonte.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}